Alter do Chão
Alter do Chão
O Castelo de Alter do Chão tem raízes num povoado romano e foi conquistado pelos cristãos no século XIII no reinado de D. Afonso II. A reconstrução principal, em 1357, foi mandada fazer pelo rei D. Pedro I para defender os campos férteis, cavalos e gado dos ataques castelhanos. Em 1359, D. Pedro I concedeu novo foral à vila. Mais tarde, passou para Nuno Álvares Pereira e a Casa de Bragança, com obras adicionais em 1432. A planta do castelo é pentagonal, como um pentágono de pedra – cinco lados iguais, uma forma forte usada pelos romanos em fortalezas.
Sugestão: Desenhar um pentágono no chão: é a forma do castelo visto de cima, perfeita para vigiar em todas as direções.
As Partes do Castelo
Vamos encontrar as muralhas brancas com 500 metros de comprimento, grossas como um abraço de gigante para proteger todos lá dentro. Podemos medir com os nossos passos quantos metros dá uma volta na muralha. Contamos sete torres: duas delas são como cilindros altos (rolos grandes de pedra) com telhados em forma de cone no topo, para a água da chuva escorrer para fora. No portão principal, procuramos a placa de mármore com a data 1357 e o brasão de Portugal, como um escudo de rei gravado na pedra. As marcas de ferrugem ou sulcos nas portas são sinais de batalhas antigas.
Pistas para Procurar nas Torres
Na Torre de Menagem, a mais alta com 44 metros – tão alta como 14 a 15 pessoas em cima umas das outras, ou como um prédio de quatro andares! –, vejam as escadas em espiral feitas para um cavaleiro descer lutando com a espada contra inimigos. Os buracos chamados nas paredes chamam-se matacões: por ali, os guardas deitavam pedras e detritos que caiam em cima dos nos inimigos que tentavam entrar. Em cima das muralhas, os quadrados de pedra são ameias e os espaços vazios entre eles são merlões – onde os arqueiros se escondiam para atirar flechas certeiras.
O Pátio no Meio
No pátio interior, o coração do castelo, cisternas redondas e grandes guardavam água da chuva para as pessoas, cavalos e animais não morrerem de sede em cercos longos. Havia casas e oficinas para mais de 100 pessoas viverem, cozinharem e trabalharem, com marcas de rodas de carros, cascos de cavalos e ferramentas nas pedras do chão – sinal de uma vila viva e cheia de movimento dentro das muralhas. Procuramos poças ou buracos redondos no chão: são restos dessas cisternas que salvavam vidas.
História de D. Pedro I e Batalhas
D. Pedro I, conhecido como o rei justo, reconstruiu o castelo porque os castelhanos (vizinhos espanhóis) atacavam sempre para roubar os cavalos valiosos e o gado dos campos de Alter do Chão. Podemos imaginar os guardas nas torres a gritar "Ataque vem aí!" e a acender fogueiras para avisar os amigos distantes. Depois, o rei Fernando I doou o castelo a Nuno Álvares Pereira, o grande herói da batalha de Aljubarrota em 1385, que lutou pela independência de Portugal. Estas muralhas viram muitas lutas, com espadas a tilintar e flechas a voar.
Lenda do Cavaleiro Garcia
Uma velha história local conta que Garcia, cavaleiro fiel ao serviço de D. Pedro I, perdeu o seu cavalo preferido, Raio de Lua, numa batalha feroz perto do castelo. O animal fugiu para as colinas e nunca mais voltou. À noite, dizem que o fantasma de Garcia surge no pátio, com armadura a tilintar, a chamar baixinho: "Onde estás, meu Raio de Lua?".
A Coudelaria de Alter
Próximo ao castelo, a Coudelaria de Alter do Chão é uma das mais importantes de Portugal e com fama no mundo todo, conhecida como Alter Real. Em 1748, o rei D. João V mandou criar a Real Coudelaria de Alter para fazer cavalos perfeitos para a corte e para guerras. Começaram a cruzar (juntar) cavalos portugueses com éguas andaluzas, ambos com sangue árabe dos mouros, escolhendo sempre os mais fortes e bonitos. Assim nasceu a raça de Alter: cavalos altos, musculosos, com pernas para saltar obstáculos e crinas ao vento.
No século XIX, durante as invasões francesas e mudanças, cruzaram com éguas francesas, cavalos ingleses e alemães, o que fez a raça perder a robustez e a rapidez originais – ficou mais fraca e quase desapareceu no início do século XX. Em 1942, a coudelaria foi integrada na Estação Pecuária de Alter do Chão (hoje polo da Estação Zootécnica Nacional). Cruzaram de novo com andaluzes e árabes puros, apurando a raça até ela voltar forte e elegante.
Hoje, os cavalos de Alter brilham nos espetáculos da Escola Portuguesa de Arte Equestre em Queluz, perto de Lisboa. Cavaleiros de chapéu de três bicos e casacos bordados à moda do século XVIII montam cavalos que parecem dançar fazendo piruetas ao som de viola da Beira Baixa e tambor. É a Alta Escola Portuguesa que vem dos tempos dos cavaleiros mouriscos e das guerras antigas.
Podemos ver os potros bebés nas baias de madeira polida, cheirar o feno fresco, ver os arreios nas paredes com sinos e penas. O hipódromo é um grande círculo de pista para treinos e corridas.
A Ponte Romana de Vila Formosa
A oeste de Alter do Chão, na Ribeira de Seda perto da povoação de Vila Formosa, fica a famosa Ponte Romana, parte da antiga estrada romana que ligava Olisipo (o nome antigo de Lisboa) a Emerita Augusta (Mérida, em Espanha). Construída há mais de 2000 anos, tem 116 metros de comprimento, seis arcos redondos feitos de aduelas (pedras curvas e justapostas como um puzzle) e cinco olhais (buracos pequenos) nos pilares fortes para a água da ribeira passar quando enche, sem derrubar a ponte. Vamos encontrar os arcos como meias-luas perfeitas, contar os olhais nos pilares e tocar as aduelas lisas polidas pelo tempo e pela água. Podemos imaginar carroças romanas com soldados a passar ali, carregadas de vinho e ouro, ou legionários a marchar para a guerra. É uma das pontes romanas mais bem conservadas do Alentejo – prova que os romanos sabiam construir para durar séculos! Podemos caminhar por cima devagar, sentir o chão antigo sob os pés e procurar musgos ou marcas de rodas nas pedras dos lados.
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